Mulheres na Engenharia: conquistas e desafios.
- MackConcreto
- 7 de mar. de 2021
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Desde a época da revolução industrial, no final do século XIX, a mulher vem se inserindo no mercado de trabalho. Naquela época, porém, o trabalho feminino era comparado ao trabalho infantil e ambos muito mal remunerados. Muitos anos se passaram até que o trabalho infantil fosse legalmente proibido, e a mulher começasse a ser reconhecida profissionalmente. Os primeiros empregos atribuídos às mulheres foram àqueles relacionados às tarefas domésticas, trabalhos que, apesar de sua importância, não são até hoje reconhecidos economicamente pela sociedade.
E, em pleno século XXI, ainda existem limitações profissionais impostas de acordo com o gênero. Essa divisão da sociedade por sexos é percebida como algo natural e biológico, porém traz consequências psicológicas, sociais e comportamentais importantes. Estruturas sociais, valores, ideologias, crenças e culturas apresentam-se como possíveis explicações para essa diferenciação, que num contexto de prática social, converte-se em desigualdades. A mulher sendo considerada “dona de casa” é uma concordância imposta e aceita pela nossa cultura, sociedade no qual julga natural essa similitude de o ambiente doméstico ser umas das poucas áreas que a mulher pode desenvolver a sua função sem ser descriminada. Portanto, um dos grandes marcos para o começo da quebra de limitações relacionadas a participação feminina foi a inclusão de meninas nas escolas, no século passado, permitindo um caminho de independência social e financeira da mulher e a oportunidade de se matricular em cursos superiores.
A desigualdade de gênero ainda faz parte da conjectura social pós-moderna, mas, mesmo assim, podemos observar sua quebra em passos lentos. O acesso das mulheres à universidade deu abertura para que elas fossem inseridas no mercado de trabalho, porém encontrando outras dificuldades que as impossibilitam de uma participação efetiva, como a diferença salarial e desconfiança quanto as competências. Ainda assim, mesmo com tamanhos obstáculos, a história do empoderamento feminino apenas fortaleceu-se, fazendo com que mulheres fossem introduzidas a trabalhos antes destinados totalmente aos homens. Isso ocorreu dentro da engenharia! Na década de 90, todas as áreas ligadas a Engenharia eram estudadas e exercidas majoritariamente pelo público masculino e foi somente no final dessa década que a presença feminina começou a ser constante dentro das salas de aula das universidades, nessa área de exatas.
O papel da mulher nos dias atuais se configura um ato desbravador. Vem conquistando novos espaços, quebrando paradigmas, ultrapassando barreiras e vencendo preconceitos, assédios e desigualdades, enquanto pavimenta carreiras brilhantes em diversos segmentos. Uma vez que ela busca superar seus limites e compete frente a frente com os homens no mercado de trabalho, que não valoriza o seu ofício e, mesmo estando em números cada vez mais compatíveis, ainda enfrentam um grande problema: elas precisam se reafirmar o tempo inteiro, mostrar o tempo todo à que vieram e não podem errar! Por isso, as mulheres buscam o desenvolvimento constante e estão tendo destaque em áreas antes naturalizadas como masculinas. Engenharia, arquitetura, marcenaria, mecânica, construção, pintura estão se tornando atividades bem comuns no universo feminino, deixando a mulher cada vez mais livre para escolher uma profissão. No intuito de tornarem-se autossuficientes, conquistar sua independência e alcançar a equidade entre os gêneros.
Nosso breve relato histórico aqui é inspirado por inúmeras engenheiras que passaram em nossa trajetória. Além das muitas que seguiram no mercado de trabalho, deixamos um destaque especial àquelas que fazem parte da Engenharia Civil. Dentre elas, a figura da 1ª Coordenadora da Escola de Engenharia Civil da UPM, Professora Magda Duro, e da atual Coordenadora, Professora Patrícia Barboza, nos lembram frequentemente que há muito espaço para mulheres em qualquer área da engenharia. É através do incentivo delas e de muitas outras professoras e engenheiras brilhantes que grupos de pesquisa, ligas acadêmicas, projetos integradores, iniciações científicas, TCCs, cursos profissionalizantes, semanas de palestras e demais benefícios aos alunos puderam ocorrer. Tais engenheiras mostram em suas vidas a possibilidade de sermos as inúmeras facetas de vida social, pessoal, financeira e profissional em uma só mulher. É inspirado nelas que nós não podemos deixar de mostrar através da nossa vida essa possibilidade a outras mulheres e lutar para que esses preconceitos sejam quebrados totalmente.
Para todas as meninas que sonham em fazer parte desse enorme mundo das ciências exatas, que é a Engenharia, não tenham medo! Serão muito bem recebidas por mulheres fortes que não se deixaram pelas limitações de gênero. Tais mulheres que passaram pela Escola de Engenharia são só o começo de um futuro incrível na construção de sonhos, no qual você pode fazer parte. Afinal, ser mulher não é uma limitação, e sim a multiplicação de capacidades, tão necessárias para a construção de um mundo melhor.
Concluímos que, aos poucos as mulheres estão conquistando seu espaço e vão derrubando mitos, como o de que o gênero feminino não ter vocação para as ciências exatas e como resultado, estão surgindo novas gerações de engenheiras e operárias com cada vez mais oportunidades e reconhecimento profissional e sabemos que competência exige foco, força de vontade e dedicação no trabalho e não força física. O lado bom é que exatamente por este motivo, estamos cada vez mais em destaque no mercado de trabalho, alcançando patamares inimagináveis e mostrando para o mundo inteiro a força do poder feminino! “Sou mulher e meu lugar é onde eu quiser.”
Autoras: Raquel Henrique Carvalho e Julia Maria Faggioni de Paula.




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